O profissionalismo no atual mercado de trabalho

Outro dia, observava duas profissionais na mesma função. Havia, porém, clara diferença na atitude de ambas. Enquanto uma delas tinha um ar insatisfeito, não sorria e fazia as coisas mecanicamente, a outra mostrava boa comunicação, agilidade e motivação especial em tudo. O comportamento era o grande diferencial que destacava os valores de uma e a baixa qualidade da outra.

Se você pretende ser um profissional de sucesso no atual mundo do trabalho, deve perceber que agora é essencial colocar em evidência suas competências técnicas e humanas. Independentemente do cenário de crise de empregos, as qualidades comportamentais vão se transformar no grande trunfo do mercado de hoje e do futuro. As crises passam, mas os valores ficam e sempre deixam marca positiva. Hoje, algumas organizações já nem consideram tão essenciais os cursos de MBA e pós-graduação ou a experiência internacional no currículo de quem está começando uma carreira. Isso porque, na ansiedade para conquistar o emprego dos sonhos, muitos jovens se especializam só para impressionar as empresas, o que acabou se tornando um lugar comum. Mais que diplomas, agora conta pontos o conhecimento adquirido na experiência diária. Daí que muitas organizações preferem formar, elas mesmas, o profissional que buscam. Isso é sempre mais viável para as capacidades técnicas, o que se pode aprender em treinamentos e na formação orientada.

Porém, o que vai diferenciar mesmo o trabalhador é a pessoa que ele é. Ou seja, o comportamento que tem ao realizar suas tarefas, a forma como se relaciona em equipe, seu equilíbrio nas diversas situações, a criatividade no dia a dia, a atitude de atender bem as pessoas. E isso vem das competências humanas. Elas são mais difíceis de ser medidas, porém, garantem desempenho acima do comum, fazem com que o profissional encontre satisfação pessoal no trabalho e aumente a margem de resultados. Essas qualificações são mais relevantes ainda nas áreas de liderança, em que é preciso coordenar a atividade das pessoas, comunicar-se melhor, canalizar a diversidade de potenciais, motivar ideias e maior produtividade em equipe.

Esse novo protótipo do trabalhador não é mais o daquele que apenas busca cumprir suas obrigações passivamente, mas sim de alguém que observa, pensa e atua melhor por conta própria. Por isso, as capacidades que aumentam a produtividade, resolvem problemas, melhoram o ambiente, deixam os clientes felizes e criam imagem positiva do negócio estarão em alta daqui pra frente. Aqueles que não apresentam essas competências comportamentais correm o risco de enfrentar grandes dificuldades para manter-se ou progredir no mercado futuro.

Muitos jovens, por exemplo, reclamam não conseguir emprego por falta de experiência. E, também, por não estarem empregados, não conseguem a tal experiência inicial. Antes de cair nesse círculo vicioso do acomodamento, os novos candidatos deveriam prestar mais atenção às muitas oportunidades de capacitação que ocorrem naturalmente no seu dia a dia. Até por serem jovens, eles mostram valores típicos dessa idade que não deveriam ser descartados. Experiência se alcança em tudo aquilo que demanda esforço inteligente e continuado. Nesse caso, um currículo poderia ser montado de forma funcional, privilegiando trabalhos realizados sem vínculo empregatício, habilidades, interesses e pontos fortes da pessoa. O importante é ser perceptivo sobre as verdadeiras demandas nesse atual universo do trabalho e resgatar as competências que estão inseridas no próprio quotidiano. Daí é seguir em frente, sem maiores receios, rumo a seus ideais.

É mais inteligente você estar preparado para as oportunidades e não aparecer nenhuma, do que surgir uma boa oportunidade, mas você não estar preparado para aproveitá-la. Quem aprende mais e cresce sempre, com certeza, vai chegar mais adiante. Profissionalismo não é coisa para um momento, mas um comportamento continuado e ascendente. Isso vale para pessoas e para empresas. Elas também devem mostrar agora uma atitude mais a tom com as demandas do momento. Devem ser mais éticas, comunicativas, participativas em sociedade e com o foco nas pessoas, tanto dentro como fora de seus portões. É como diz o perspicaz escritor e futurista americano Alvin Toffler: “O segredo do sucesso a longo prazo é a eficiência a longo prazo”